Terça-feira, Junho 07, 2005
Já tinha ouvido chamar à homo/bi/trans/queer/whatever-sexualidade muita coisa. Desde as designações mais básicas às mais requintadas, das mais retorcidas às mais ignorantes. Mas fico sempre surpresa quando conheço uma nova e regozijo de divertimento (afinal é preciso sabermo-nos rir das coisas menos boas).
Li ontem neste artigo do Correio da Manhã esta verdadeira pérola pela autoria da ratazana papal: [referindo-se à comunidade lgbt e à reivindicação das uniões] "liberdade anárquica que ameaça o futuro das famílias". Confesso, fiquei sentida. Não é que eu sou anarca e nunca ninguém mo tinha dito? Mil agradecimentos a Ratzinger por tamanha amabilidade. Estar-lhe-ei grata o resto da minha vida.
Este senhor adianta também mais alguns ensinamentos sábios: condena o divórcio, os métodos artificiais de controlo do nascimento, os casamentos pelo civil e as uniões de facto. Ó vis heresias!
Ainda bem que temos quem nos alerte...
Sábado, Junho 04, 2005
Quinta-feira, Junho 02, 2005
º O mover do Ser º
Teatro Académico Gil Vicente /14 de junho/ 21h30
O mover do ser surge com a intenção de consciencializar a sociedade civil relativamente a uma dicotomia presente no mundo contemporâneo: o Ser (individualidade) e o mover (sociedade)Tudo o que somos, tudo o que queremos Ser, transforma-se numa produção em série, imposta por uma fábrica que se chama sociedade.O mover do ser é apresentado mecanicamente, escondendo assim, os mais diversos sentidos da vida e o que nos distingue como individualidades.Por isso, tal como refere Vergílio Ferreira na sua obra Aparição, muitas vezes pesa-nos como uma “pata de violência a realidade que somos”.Quantas vezes os nossos gestos, as nossas palavras, não são a “pata de violência” que originam a segregação de certas identidades e determinados desejos de mover.Entretanto apesar desta denúncia social, constrói-se uma alternativa fundada na ideia de igualdade, diversidade e a riqueza que estas contribuem para a humanidade.
O mover do ser surge com a intenção de consciencializar a sociedade civil relativamente a uma dicotomia presente no mundo contemporâneo: o Ser (individualidade) e o mover (sociedade)Tudo o que somos, tudo o que queremos Ser, transforma-se numa produção em série, imposta por uma fábrica que se chama sociedade.O mover do ser é apresentado mecanicamente, escondendo assim, os mais diversos sentidos da vida e o que nos distingue como individualidades.Por isso, tal como refere Vergílio Ferreira na sua obra Aparição, muitas vezes pesa-nos como uma “pata de violência a realidade que somos”.Quantas vezes os nossos gestos, as nossas palavras, não são a “pata de violência” que originam a segregação de certas identidades e determinados desejos de mover.Entretanto apesar desta denúncia social, constrói-se uma alternativa fundada na ideia de igualdade, diversidade e a riqueza que estas contribuem para a humanidade.
Produção: Onigma Semper – Colectivo de Intervenção Social
º Ser do "contra" º
A frase é do Luís Delgado, autor de múltiplas pérolas do editorialismo português, e refere-se ao resultado do referendo sobre o tratado constitucional nos Países Baixos (conhecidos por Holanda, porque no século XVIII, as províncias da Holanda do Norte e da Holanda do Sul eram as mais poderosas economicamente do país). Porém, por uma vez, vou esquecer o contexto e o objectivo da frase, e vou concordar com o Luís Delgado. De facto, a Holanda (sic) é tradicionalmente um país do contra. Ora vejamos:
Enquanto os países ibéricos andavam a expulsar judeus, os Países Baixos acolheram-nos.
Enquanto o mundo no geral se verga a convenções morais sobre a vida, os Países Baixos enquadraram legalmente a prática da eutanásia.
Enquanto as autoridades policiais europeias se encarniçam numa guerra contra as drogas leves, os Países Baixos legalizaram-nas.
Enquanto Portugal mantém uma lei (e uma interpretação da lei) da IVG que desrespeita os direitos mais básicos das mulheres, nos Países Baixos há pessoas que lutam activamente para que qualquer mulher no mundo possa ter o direito de escolher se e quando quer ser mãe.
Enquanto Portugal mantém um modelo de desenvolvimento baseado em salários baixos e uma descoordenação total entre o ensino e o mercado de trabalho, nos Países Baixos aposta-se na ligação do ensino ao mercado de trabalho e na qualificação da mão-de-obra.
A lista poderia continuar. Contudo, já deu para perceber como a Holanda (sic) é do contra. E tendo em conta que o resultado do não foi folgado (61,6%), até já percebemos porquê. Puro capricho.
Quarta-feira, Junho 01, 2005
º Thanks William Coulson! º
Numa carta aberta aos "pais portugueses", William Coulson alerta-os para os perigos da Educação Sexual, de entre os quais a estimulação ao "sexo precoce".
Outro perigo é do crescimento do número de "lésbicas radicais". Aparentemente, aplicada numa escola de freiras, a Educação Sexual fez metade desistir dos votos e as outras transformarem-se em "lésbicas radicais".
Com licença, que eu agora vou procurar as escolas de freiras nas páginas amarelas. Procuram-se voluntári@s para a evangelização sexual nas escolas de freiras: vamos transformar Portugal num paraíso de "lésbicas radicais"!
Segunda-feira, Maio 30, 2005
º Perguntas difíceis º
A passagem dos anos tem destas coisas. Já me estou a imaginar daqui a uns anos com uma criança a saltitar pela casa, a correr atrás d@s gat@s e a fazer perguntas difíceis. Acho até que é melhor começar a preparar-me para a complicada pergunta: "Mamã, o que é a Função Pública? E o Estado Providência?"
Hmm...pensando melhor , se calhar o mais difícil vai ser mesmo responder à pergunta que se irá seguir à explicação: "Então e como é que isso desapareceu? O que é que aconteceu?"
º Aborto: Petição pela despenalização º
E para quem ainda não perdeu as estribeiras com este assunto aqui fica uma coisa que está online e me chegou ao mail.
"Somos um grupo de cidadãos e cidadãs que, por via de uma petição apelam ao Secretário-Geral do Partido Socialista, ao Presidente e deputados(as) do seu grupo parlamentar para que accionem o processo legislativo conducente à discussão e aprovação, até ao próximo dia 28 de Junho, de uma nova lei de despenalização do aborto (incorporando propostas dos projectos do PCP, BE, PEV), estabelecendo assim como únicas prioridades o fim da perseguição de mulheres e a garantia de condições à realização de uma interrupção voluntária da gravidez em condições de segurança. "
Pode consultar e subscrever a petição online através do seguinte link: http://www.petitiononline.com/200505ca/petition.html
Pode consultar e subscrever a petição online através do seguinte link: http://www.petitiononline.com/200505ca/petition.html
º Se pensas que pensas, pensas mal. Quem pensa por ti é o capital º
Ontem, @s franceses rejeitaram o Tratado Constitucional Europeu por uma série de razões, e com uma maioria confortável. Segundo @s partidários do sim, de facto, não interessam muito as razões. Sejam lá quais forem, estão erradas: se não pensas como eu acho que tens de pensar, pensas mal, e como pensas mal, aquilo que tu dizes não tem valor algum, e portanto não tem sequer de ser tido em conta.
Furão Tinhoso, aka, José Manuel Barroso (é lixado ter um til no nome: a maior parte dos teclados europeus não está equipada com a tecla respectiva), não perdeu tempo. Não só o não francês põe um "problema muito grave à UE" (e que problema é esse? fazer uma Constituição de forma mais democrática?), como também se pode ignorar esse não e continuar alegremente a ratificação (desde que, pelo menos 20 países o ratifiquem. Exercício: contar em quantos países vai haver referendo) . Ao fim e ao cabo, isto vem de alguém percebe o significado da derrota nas urnas: fugir prá frente, que alguém há-de apanhar os cacos.
Fiquei feliz por saber que o Governo português quer manter o referendo em Portugal, apesar da votação francesa. Uma lição de política tipicamente nacionalista, lá está. Se fossemos realmente europeístas, acatávamos o voto francês e não havia referendo para ninguém. E nada de queixas! É assim que a Europa tem funcionado e é este modus operandi que o tal Tratado Constitucional quer legitimar.
Mas fiquei feliz por saber que o Governo português quer manter o referendo em Portugal. Assim, também nós teremos a oportunidade de sofrer a chantagem demagógica na pele. Felizmente, nós teremos uma inovação face a França: a negociação dos fundos comunitários. Se a malta não vota sim em bloco, perdemos tudo e pronto, é o fim.
Suponho que esta seja uma das razões pelas quais as pessoas se afastam da política: a sensação que, independentemente daquilo que escolherem, irá dar tudo no mesmo. Seja a nível nacional, seja a nível europeu. Se aquilo que @s polític@s profissionais querem é formar Comissões de Sábios (sic) e depois impor essas decisões, força nisso. Não tentem é vender-nos isso como democracia.
Sábado, Maio 28, 2005
Sexta-feira, Maio 27, 2005
º Esquerda caviar º
A grande vantagem de Portugal ter representada na AR a esquerda caviar é que podem surgir propostas de lei só para ric@s. Ric@s, mesmo ric@s. Podres de. Tão, que nem precisam de trabalhar (e portanto não pagam impostos).
Hoje, o BE relançou uma das propostas que mais realça o seu lado caviar: o imposto sobre as grandes fortunas (a aplicar a pessoas que possuem bens cujo valor ultrapassa os 934 mil euros ou cerca de 150 mil contos. Uma ninharia, portanto). Objectivo: justiça social. Pura e dura.
Esta medida permitiria o encaixe de 250 a 350 milhões de euros no orçamento da Segurança Social. Tendo em conta que o tal défice monstro, mesmo assim inferior a qualquer um dos governos de Cavaco Silva, que nos irá papar a tod@s é superior a 9 mil milhões de euros, 350 milhões são trocos.
O que nos vale é que são só uns trocos. Era chato ver o resultado da discussão na AR, quando nos vendem uma crise tão profunda e paralisante, se estivéssemos a falar de dinheiro a sério. Graças a deus, são só trocos.
Adenda de dia seguinte - Apesar de não ser para já possível ter a honra de ver esta discussão na AR, na próxima quinta-feira será discutido um projecto do BE sobre o levantamento do sigilo bancário. Assinalar na agenda - ter atenção ao comportamento do PS (mais uma vez, versão completa vs. light).
ºO lobo mau já era! O défice é que nos vai papar!º
E pronto, lá tivémos mais do mesmo: aumento de impostos, congelamento de promoções e aumentos de salários, aumento do imposto sobre os combustíveis e o tabaco. Nem vale a pena comentar: a receita é de direita e já vimos que não funciona.
Umas novidades pela positiva: não serão apenas @s funcionári@s da função pública a verem os seus salários na mesma: os administradores de empresas públicas também não terão direito a aumentos (e é esta a diferença entre o PS e o PSD). Temos ainda a questão das subvenções vitalícias de detentores de alguns cargos políticos, que tem de passar o crivo da AR. Estranhamente, esta é uma proposta histórica do PCP que o PS sempre recusou...
E, para compensar estes laivos de socialismo, o aumento da idade de reforma na função pública. Primeiro foi a equiparação das idades de reforma de homens e mulheres no governo PSD/CDS: a antecipação em 5 anos da idade de reforma das mulheres foi uma conquista de Abril. Era uma forma de reconhecer que as mulheres trabalham duplamente, e que o investimento na educação d@s filh@s é um contributo notável para o país. Na altura não se ouviu pio. Era o ensaio geral.
A minha medida preferida é a "nem carne, nem peixe" ("nem tofu, nem seitan", na versão vegetariana): a auditoria regular a ministérios. Teoricamente, o objectivo é disciplinar as despesas nos ministérios. No entanto, isto é a versão light (leve e não iluminada) de uma proposta do BE: a auditoria a todos os serviços do Estado. O objectivo é descobrir exactamente como e onde os recursos humanos e financeiros estão a ser utilizados, onde estão em falta e onde estão a mais. E depois desta avaliação, distribuir os recursos eficazmente, maximizando a qualidade do serviço prestado.
Desvantagens da versão completa: poria a nu as iniquidades da função pública e os privilégios obscenos de uma minoria. Imaginem lá sabermos exactamente quanto é que cada um dos administradores de empresas públicas ganha entre salário, prémios de gestão e privilégios corporativos (pode alargar-se o exercício a qualquer cargo público). E depois poder comparar isso com os cortes efectuados em sectores como a saúde ou a educação.
Hmm, ia ser bonito, ia! Já se percebeu porque é que o PS prefere light...
º Dos nomes que nos dão º
Nas reflexões pós Viseu, esta gaja constatou empiricamente que já não se sente insultada nas ocasiões (cada vez mais raras) em que alguma mente mais presa às trevas se lhe dirige com impropérios* relacionados com as suas escolhas afectivas (sim, é mesmo escolhas neste contexto), como fressureira.
Também se pode objectar que ninguém no seu perfeito juízo pode sentir ofensa relativamente à palavra fressureira. Quer dizer, é tipo costureira, jardineira, cozinheira. Uma profissão. A sério. Verifiquem no dicionário: Fressureira - feminino de fressureiro. Fressureiro- homem que vende fressura.
Mas fascinante mesmo, é pensar naquilo que levou a que fressureira (mulher que vende fressura) se tornasse equivalente a lésbica. Como é que alguém que vende fressura (conjunto das vísceras mais grossas de alguns animais, como pulmões, fígado, coração, etc.) se transforma em lésbica?
*E já agora, sabiam que Impropérios, no plural e grafado com maiúscula, se refere a uma série de cânticos religiosos, que se entoam na Sexta-Feira Santa, durante a cerimónia da adoração da Cruz? A língua tem destas coisas...
Quarta-feira, Maio 25, 2005
º 75º Feira do Livro º
Feira do Livro de 25 de Maio a 13 de Junho no Parque Eduardo Sétimo
Este ano, a 75ª edição da Feira do Livro de Lisboa, é marcada por uma série de novidades, nomeadamente no que diz respeito à disposição dos pavilhões. No grande auditório, concepção dos arquitectos Marcos Cruz e Marjan Colleti, desenvolver-se-ão muitos dos eventos, que constam do programa cultural: concertos, sessões de leitura, performances teatrais, conferências e lançamentos de livros.
Do programa cultural, fazem ainda parte, a comemoração de uma série de efemérides, entre as quais importa destacar os 200 anos da morte de Bocage, recordados por Rui Zink ou o 400º aniversário da edição de D. Quixote. Uma exposição, em homenagem a Francisco Lyon de Castro, fundador das Publicações Europa-América, também é parte integrante deste evento cultural.Leia mais...
Programação para o dia de hoje dia de abertura:
Dia: 25-05-2005
19:30 Inauguração Oficial da 75ª Feira do Livro de Lisboa
20:00 Auditório Concerto com a Big Band do Hot Club
21:30Abertura ao público do Autocarro Multimédia Juventude
21:30Abertura ao público do Autocarro Bibliociência
21:30ExposiçãoLocal: Divisão de Educação e Sensibilização AmbientalExposição "Oferta Educativa da Divisão de Educação e Sensibilização Ambiental"
Domingo, Maio 22, 2005
º And now for something completely different º
...@s ric@s que paguem a crise: sugestão de alguma esquerda, e também da esquerda radical (Paulo Portas dixit). Ah! E da Clara Ferreira Alves.
Bom, eu já não sei em que acreditar. Andam a tentar convencer-nos há anos que o Estado Providência está a falir, que a malta tem é de pôr os olhos no modelo de desenvolvimento dos EUA ou dos ferozes países asiáticos. Agora com um défice de 8%, os arautos do costume dizem que é preciso fazer (ainda mais) sacrifícios.
Bom, eu já não sei em que acreditar. Andam a tentar convencer-nos há anos que o Estado Providência está a falir, que a malta tem é de pôr os olhos no modelo de desenvolvimento dos EUA ou dos ferozes países asiáticos. Agora com um défice de 8%, os arautos do costume dizem que é preciso fazer (ainda mais) sacrifícios.
Sei lá, depois de mais um escândalo que parece indicar tráfico de influências ao mais alto nível, depois de dois anos de sacríficios (cujo resultado foi o duplicar do défice público), acho que é altura de motivar o peixe graúdo. Que tal cortar nos salários de quem gere quando o balanço é negativo? Ao fim e ao cabo, se a gestão é premiada pelos bons resultados, também deve ser premiada pelos maus. Ou a conjuntura é só culpa da arraia miúda?
º Não é só em França...º
E mesmo existindo muitos "nãos" diferentes, têm em comum um ponto: não se pode votar algo que não se conhece, ou cujas consequências não podem ser discutidas.
A União Europeia cresceu e consolidou-se ao longo de mais de quarenta anos sem uma Constituição. Por mais importante que seja, e eu acredito que é importantíssimo, haver um corpus legislativo comum, não é legítimo por parte de ninguém exigir a ratificação sem esclarecimento prévio.
Quando se considera o afastamento progressivo d@s cidadã/os da política e se procuram soluções, nunca se considera porventura o factor mais importante: o aprofundamento da democracia, o envolvimento de cada um/a nos processos decisórios que nos afectam é uma forma de trazer as pessoas. Um/a cidadã/o que não se sente ouvid@, não se sente envolvid@ ou responsabilizado. Para quê participar, se o contributo nunca é tido em conta?
Se somos nós que construímos a Europa todos os dias, o mínimo que merecemos é que nos ouçam, e nos levem a sério. Por mais diferentes que as nossas opiniões sejam.
Sábado, Maio 21, 2005
º Petição pela despenalização do aborto º
Está a decorrer uma petição online apelando ao Primeiro Ministro e ao seu grupo parlamentar que altere a lei do aborto até fim de Julho deste ano. Confesso que acho que vai cair em saco roto, mais uma vez, até por ser assinado via net. Mas vale sempre a pena tentar. Baixar os braços é que não!
http://www.petitiononline.com/200505ca/petition.html
http://www.petitiononline.com/200505ca/petition.html
º Novo site das Panteras º

As Panteras mudaram de casa: encontrem-nas agora em www.panterasrosa.com ou ... elas encontram-vos... Uah ha ha...
Quinta-feira, Maio 19, 2005
º Clube Safo: Mea Culpa º

Assumindo as falhas ocorridas na festa de passagem de ano 2004/2005 que prejudicaram quem escolheu esta festa no CCGL para celebrar, o Clube Safo lançou um comunicado expondo as suas considerações e deixa o convite para um remake da festa aberta a tod@s.
Terça-feira, Maio 17, 2005
º Hmmm... º

O cartaz deste ano é, sem dúvida, o mais bem conseguido de sempre. Não me vou alongar em considerações estéticas. Sou obviamente parcial nesta avaliação, mas estou muy contente por finalmente o cartaz ser explicitamente dirigido às meninas que se apaixonam, relacionam, quecam, preferem ou se babam por outras meninas. Até que enfim, depois de quase dez anos!
Também sei que o argumento "as fufas gostam de mamas e gajas nuas, especialmente se as fotos forem de qualidade" é um bocado fraco a nível político. Porém, as gajas têm desejo sexual e, pasme-se, gostam de sexo! As fufas não são só amigas. É importante que este mito seja desmontado. A aceitação social das fufas depende da invisibilidade total da sua sexualidade, sendo aliás um dos pontos divergentes entre a discriminação homófoba sofrida por meninas e por meninos.
Daí que a existência de um cartaz que anuncia um evento conotado publicamente com engate e sexo anónimo/fácil, portanto um terreno tradicionalmente masculino, mas com gajas que assumem também essa vertente sexual de forma explícita é um passo contra esta invisibilização. Afinal, o desafio dos papéis tradicionais de género é um acto político, e a reivindicação de sexualidade feminina é, ainda hoje, um acto desafiador!
P.S. Para o pessoal com uma memória de elefante e que vagamente tem em mente um outro cartaz de há uns cinco ou seis anos, também com uma menina: não tem nada a ver! Nadinha, mesmo, principalmente porque nesse ano houve duas versões: a masculina, um jovem em tronco nu; a feminina, uma jovem em fato de treino...
Segunda-feira, Maio 16, 2005
º Um minuto de silêncio º

Comemorativo do 17 de Maio, Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia e divulgado pela Associação Cultural Janela Indiscreta, fica aqui o cartaz por um minuto de silêncio pelas vítimas da discriminação homofóbica a ocorrer em Paris e Londres. É de lembrar que no mesmo dia será entregue no Parlamento português uma proposta pela instituição deste mesmo dia.
º Concentação contra a homofobia - Foto reportagem º
Como prometido, as gajas do I'm No lady marcaram presença com as Panteras Rosa na concentração de protesto contra a violência homófoba em Viseu. Entre várias sugestões de números que ouvi, e pelo que pude ver, calculo que tenham estado presentes cerca de 250 manifestantes. Ou seja, inédito em Viseu e a merecer um grande aplauso a tod@s @s que não quiseram deixar de estar presentes neste dia de luta. Algumas reações e insultos à mistura não demoveram as pessoas mas deixaram um travo tenso no espaço. "Não temos medo, não nos calamos" foi sem dúvida a melhor resposta depois de qualquer possibilidade de diálogo e pedagogia ter ficado fora de questão. O Público já tem um artigo sobre o tema editado. O DN tem um dossier de artigos publicados aqui e aqui sobre a temática da homofobia. O Correio da Manhã também editou um artigo, um bocado mau, aqui. Seguem-se as fotos:

Movimento Stop Homofobia

Panteras Rosa - faixa "Homofobia aos molhos, estado fecha os olhos"

SOS Racismo marcou presença com activistas na concentração

Bloco de Esquerda - Núcleo de Viseu

Amnistia Internacional - pela primeira vez, abertamente, lado a lado na convocação da concentração com as demais associações lgbt

Clube Safo - esteve presente em representação das mulheres lésbicas viseenses e de todo o país.

Representantes das associações e movimentos organizadoras, em baixo a faixa da Horus Gay - 1ºª associação lgbt de Viseu

Manifestantes concentrados no Rossio de Viseu

Dezenas de pancartas com palavras de ordem encheram o Rossio

Um activista do movimento lgbt Black Laundry de Israel personalizou e internacionalizou a concentração com a palavra de ordem "basta de agressões" escrita em hebreu.
Sábado, Maio 14, 2005
º É já amanhã! º

A concentração de protesto contra a violência homófoba em Viseu é já amanhã, pelas 15 horas no Rossio. É de relembrar que Viseu é uma cidade de poucas agitações e que uma concentração com mais de 100 pessoas será histórica para o sítio que é. Eu estarei lá com as Panteras Rosa e prometo um post sobre o que se passar por lá.
. Esta acção conta já com a mobilização de diversas associações e movimentos:
. Esta acção conta já com a mobilização de diversas associações e movimentos:
- Amnistia Internacional; Horus - associação gay, lésbica, bissexual e transsexual de Viseu; SOS Racismo; Associação ILGA-Portugal; Clube Safo; PortugalGay.PT; Associação Não Te Prives; Olho Vivo - associação para a defesa do património, ambiente e direitos humanos; @t. - associação para o estudo e a defesa do direito à identidade de género; Associação Opus Gay; Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia; APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, AJP-Acção Justiça e Paz; Secção de Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra; ATTAC-Portugal.
Sexta-feira, Maio 13, 2005
Quinta-feira, Maio 12, 2005
Sem comentários
Citação do padre Domingos de Oliveira, durante a celebração da missa de 7º dia de Vanessa Pereira, a menina de cinco anos, encontrada morta nas águas do rio Douro, com sinais evidentes de maus tratos.
«Matar uma pessoa no seio materno é mais grave do que matar uma pessoa que não se pode defender. Uma menina de cinco anos pode reagir, pode chorar, queixar-se».
O teor das declarações já nem é novidade. Já só se pedia um bocadinho de sensibilidade e, sei lá, isto é só uma sugestão, não dizer este tipo de coisas numa missa em memória de uma criança que foi torturada e que morreu sem assistência após horas de sofrimento.
Mas, fiquemos descansad@s, as crianças que são mortas porque não são desejadas, porque não há condições para as ter e porque não é possível às mulheres interromper uma gravidez nestas situações vão todinhas para o Céu. Isso é que importa...
«Matar uma pessoa no seio materno é mais grave do que matar uma pessoa que não se pode defender. Uma menina de cinco anos pode reagir, pode chorar, queixar-se».
O teor das declarações já nem é novidade. Já só se pedia um bocadinho de sensibilidade e, sei lá, isto é só uma sugestão, não dizer este tipo de coisas numa missa em memória de uma criança que foi torturada e que morreu sem assistência após horas de sofrimento.
Mas, fiquemos descansad@s, as crianças que são mortas porque não são desejadas, porque não há condições para as ter e porque não é possível às mulheres interromper uma gravidez nestas situações vão todinhas para o Céu. Isso é que importa...
Terça-feira, Maio 10, 2005
Segunda-feira, Maio 09, 2005
º Condecorações Justas º
Paulo Portas foi recentemenete a Washington para ser condecorado pelas mãos de Donald Rumsfeld (himself, o ministro da defesa de Bush) e claro devemos dizer aqui que ele merecia...Atão não é que o Paulinho (quando ainda era ministro da defesa)comprou duas fragatas de origem norte-americana, querem melhor razão para ser condecorado do que esta??? Há que louvar (que bonito, que religioso) o justo reconhecimento fica sempre bem....





