º I'm No Lady º

I'M NOT an ballbreaker, bimbo, bitch, bra burner, bull dyke, butch, carmen miranda, china doll, dumb blonde, fag hag, femme fatale, feminazi, geisha, good catholic girl, home girl, lady boss, lipstick lesbian, lolita, mother teresa, nympho, old maid, pinup girl, prude, slut, supermodel, tomboy, trophy wife, vamp, wicked stepmother or yummy yummy... Don't stereotype me!

segunda-feira, junho 27, 2005

ºMarcha do Orgulho 2005:a cobertura jornalísticaº

Antes da cobertura da Marcha do Orgulho com as fontes caseiras (leia-se nossas), uma espreitadela naquilo que fizeram os outros.
Esta gaja conseguiu assistir às reportagens da SIC e da TVI. Considerou-as aceitáveis, boas se comparadas com anos anteriores. No entanto, depois de uma noite com demasiados copos no Arraial, e meia dúzia de horas de sono, não reteve o suficiente para uma análise mais pormenorizada.
Já em relação aos jornais, seguem-se umas considerações.

Agência Lusa
/Diário Digital / TSF
A introdução da notícia está boa, com o destaque da faixa dos jovens do BE "Todos os direitos para todos os amores" a servir como resumo das reivindicações.
O pior vem depois. Esqueçam lá os factos: conseguiram errar no nome das associações/ movimentos que organizaram a Marcha, associar pessoas a associações diferentes, inventar associações novas (conhecem o Movimento LGBT?, assim mesmo com maiúscula e tudo), e ainda ser completamente incapazes de perceber que o manifesto da Marcha é conjunto (note-se que foram distribuídos manifestos na Marcha com
este formato, símbolos das associações/ movimentos incluídos).
O melhor é a cobertura diversificada da Lusa / Diário Digital: a nível nacional menciona outras organizações presentes na Marcha (SOS Racismo, Partido Humanista, Movimento Social- Liberal), a nível internacional, percorre as marchas de Paris, Berlim e Atenas (primeira marcha de sempre, com 500 pessoas).
A TSF é, entre @s três, a pior cotada, já que resumiu a cobertura da Lusa /Diário Digital para metade, ficando com o texto pleno de erros, e sem nada positivo para compensar.

Correio da Manhã
Um
artigo de introdução aceitável no sábado, se exceptuarmos a substituição de transgénero por "pessoas que mudaram de sexo". No domingo, foi dedicada uma página à Marcha, ocupada principalmente com as fotos espalhafatosas do costume, e três parágrafos de texto. Apesar das limitações do modelo jornalístico escolhido (sensasionalista), o Correio da Manhã foi o único a acertar no número de pessoas: mais de mil. A destacar também a simplicidade com que transmitiu eficazmente as duas vertentes da Marcha, a política e a festiva.

Diário de Notícias
O DN destaca-se como o mais forreta dos media: falou em 400 pessoas, ainda menos que o número referido pela PSP (500). Destaca-se ainda pela insistência na abordagem dos heterossexuais que estiveram na Marcha. A opção é questionável, obviamente. Mas o resultado final é interessante, já que ter a voz heterossexual a falar de homofobia é uma manifestação visível da alteração da abordagem jornalística às questões LGBT. O jornalista meteu a pata na poça no que se refere à organização da Marcha, roubou no número de participantes, ignorou a presença dos partidos políticos, e demais organizações não LGBT. A perspectivação da homofobia pelo olhar heterossexual foi um exercício interessante, ainda que sub-aproveitado.


Público
Cobertura jornalística aceitável, porque se limitou a relatar uma parte da Marcha. O Público tem a cobertura mais politizada e generalista da Marcha, com um destaque evidente para a divulgação do Manifesto.
Já a Marcha em si foi ignorada: nem um exemplo de uma palavra de ordem, ou de uma faixa ou cartaz, além de não serem mencionadas as participações dos partidos políticos, e demais organizações não LGBT. Aliás, nem sequer uma menção a associações/ movimentos que organizaram ou participaram, à excepção da Ilga Portugal.

Notas aos querid@s jornalistas e polícia sobre contas:
- 500 pessoas não enchem o Rossio.
- O medo de ser reconhecid@ faz com muitas pessoas acompanhem a Marcha na Avenida da Liberdade, especialmente nos amplos passeios, que estiveram cheios de gente. Estas pessoas não acompanham a Marcha do início ao fim, visto que é aí que estão as máquinas fotográficas e as câmaras. Portanto, o número efectivo de participantes na Marcha é substancialmente superior ao das pessoas que partem do Marquês, ou do das que chegam ao Rossio.