º I'm No Lady º

I'M NOT an ballbreaker, bimbo, bitch, bra burner, bull dyke, butch, carmen miranda, china doll, dumb blonde, fag hag, femme fatale, feminazi, geisha, good catholic girl, home girl, lady boss, lipstick lesbian, lolita, mother teresa, nympho, old maid, pinup girl, prude, slut, supermodel, tomboy, trophy wife, vamp, wicked stepmother or yummy yummy... Don't stereotype me!

Terça-feira, Abril 12, 2005

º Contra a directiva Bolkestein º

A directiva Bolkestein visa remover os obstáculos nacionais à liberdade de estabelecimento, bem como os obstáculos à livre circulação dos serviços no espaço comunitário. Para tanto, a proposta introduz o "princípio do país de origem". Este princípio sustenta que os prestadores de serviços só estão sujeitos à lei do país de onde são provenientes. Este princípio, inicialmente concebido para a livre circulação de mercadorias, sustenta que desde que a qualidade de um produto tenha sido certificada no país de origem A, pode ser vendido no país B da UE.
Isto significa que o Estado-Membro de origem é responsável pelo controlo do prestador e dos serviços que este fornece, mesmo quando os serviços sejam fornecidos noutro Estado; e que o prestador de serviços se rege pelas leis do país de origem. Um exemplo prático: uma empresa de construção civil a operar na Alemanha rege-se pelas leis portuguesas no que se refere a protecção laboral, salários, despedimentos, horários de trabalho etc. E apesar dessa empresa operar na Alemanha, é o estado português que está responsável pelo controlo da sua actividade.
Ou seja, na prática, está a retirar-se a cada um dos Estados-membro a responsabilidade de fiscalizar a aplicação das suas leis no seu próprio território; e como é inexequível a fiscalização em países estrangeiros, é um convite aberto ao trabalho sem direitos. Mais, é uma afronta directa a trabalhadora/es de países com legislações laborais mais apertadas, ou salários mais elevados, já que a concorrência directa no mesmo sector de empresas e trabalhadora/es sujeit@s a leis menos exigentes, irá certamente diminuir o grau de exigência e salarial. Em vez de se nivelar a UE pelo máximo, nivela-se pelo mínimo. De direitos.
Assina a petição europeia contra a directiva Bolkestein aqui.

º Política de birra º

O PSD de Marques Mendes eleva o conceito de política a horizontes que nem mesmo Santana Lopes sonhou. Santana Lopes inaugurou o estilo atabalhoado, complementado pela faceta vítima.
O PSD de Marques Mendes, com os seus dois dias acabadinhos de cumprir, já mostrou que é diferente. Incapaz de concorrer com o estilo atabalhoado, porque não ocupa a cadeirinha de PM, Marques Mendes cultiva o estilo birra - porque - não - sou - PM - nem - vou - ser - nos - próximos - quatro - anos, - nem - depois - disso - e - por - isso - não - vou - deixar - que - outro - seja.
Primeiro foi a chantagem relativamente ao referendo da IVG. Agora é a limitação dos cargos públicos a 3 mandatos: parece que repararam no PSD que isto é uma daquelas medidas que acabaria com a ditadura (perdão, com o modelo democrático) de Jardim na Madeira.

Segunda-feira, Abril 11, 2005

º Constituição Europeia º

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De repente é o pânico! Em França, no referendo sobre o tratado constitucional europeu - TCE (Constituição Europeia) o "não" pode sair vencedor.
De repente é o pânico! @s cidadã/os podem renegar um documento produzido por uma Convenção, que nem sequer foi eleita por voto directo (foi nomeada pela Comissão Europeia, que por sua vez é constituída por pessoas nomeadas pelos respectivos governos nacionais), que apoia a desmantelação do que resta do estado-providência na Europa, institui um exército europeu, um/a ministr@ dos negócios estrangeiros ou um/a presidente europeu/ia (que definiriam a política externa da União Europeia, bem como a participação em conflitos armados).

Algumas/ns partidári@s do "sim" já mostram a sua preocupação com estas sondagens.
Indignam-se com as "questões laterais" que parecem justificar este resultado, considerando "chantagem" que @s cidadã/os se pronunciem sobre medidas como a directiva Bolkestein ou a alteração da organização dos tempos de trabalho (permitindo que o horário de trabalho se possa estender até às 65 horas semanais), num referendo sobre o TCE.
Tendo em conta que @s cidadã/os não são chamad@s a pronunciarem-se sobre actos legislativos específicos, é normal que manifestem o seu desagrado pelo rumo liberal que a UE está a seguir de alguma forma. Se o caminho que esta UE quer seguir é este, e @s cidadã/os não concordam, é normal que o voto seja para expressar o desagrado seja "não".

É alarmante e preocupante quando face a legítimas reservas d@s cidadã/os, @s polític@s respondem com chantagens. É significativo que, em vez de ouvirem as preocupações d@s cidadã/os, @s políticos respondam com ameaças. Que democracia, que processo democrático é este em que a livre escolha é ensombrada por ameaças políticas?
A UE foi-se construíndo sem uma Constituição, e não foi posta em causa por isso. A UE pode continuar sem uma Constituição o tempo que demorar um processo democrático de elaboração de uma nova Constituição, em que qualquer cidadã/o que queira apresentar propostas o possa fazer: isso é que é democracia!

º Aborto - debate no Parlamento º

Aborto - debate no Parlamento no dia 20 de Abril pelas 15 h

Nunca se esteve tão próximo de acabar com uma lei que tem causado uma das maiores humilhações e sofrimento nas mulheres portuguesas
Tudo se encaminha para a realização de um referendo antes do Verão. No dia 20 vão estar a debate projectos de resolução sobre o referendo e projectos lei de despenalização do aborto. Muit@s de nós temos vindo a acompanhar esta luta ao longo dos anos.
O dia 20 de Abril vai ser um dia histórico que marcará uma nova e última etapa desta luta.
Assim o esperamos.
Apelamos à tua presença nas galerias da Assembleia da República nesse dia.

º Moção de pesar º

BE e PC votaram favoravelmente uma moção de pesar pela morte do papa apresentada na assembleia da república, se não estou em erro, na quinta feira passada. O Bloco criticou de alto a baixo o texto da moção, criticou a falta de laicidade do estado, e criticou o facto de o texto querer transmitir uma ideia de consenso político e social em torno da concordata interpretada como uma mais valia, e depois vota a favor??? Estarão os partidos de esquerda, e nomeadamente o Bloco a aderir ao sistema do politicamente correcto???Alguém me quer explicar o que aconteceu? Estou a sentir-me autista!

Quinta-feira, Abril 07, 2005

º Julgamento continua º

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E quem ainda não estava convencido que Portugal é um país retrógado e pouco respeitador da dignidade humana, ponha os olhos no julgamento de mulheres por aborto que decorre no Tribunal de Setúbal e que teve nova sessão no dia de hoje. A defesa bate-se pela suspensão do julgamento tendo em vista o referendo sobre a despenalização do aborto e o pedido de incidente de recusa, que não foi aceite. Continuam os esforços por afastar estas mulheres de uma lei que é, ela sim, criminosa.
Infelizmente, parece que a juíza quer à força toda julgar estas mulheres e têm-se mostrado implacável ao serviço da criminalização das mulheres, não aceitando a suspensão do processo até ao referendo. Este processo promete assim arrastar-se, numa luta entre o direito ao corpo e à escolha das mulheres e a hipocrisia instalada e legislada.
Vergonha é a única palavra que posso aplicar a esta situação.
Nem Papas nem Juízes, as Mulheres decidirão!
Referendo pela despenalização do aborto, Já!

Quarta-feira, Abril 06, 2005

º Laicidade procura-se º

Laico: do grego laikós, «id», pelo lat. laicu-, «laico, leigo» , adj. que não é religioso;
Laicidade: s. f. qualidade ou estado de laico (De laico + idade)
A Constituição Portuguesa diz expressamente que o estado português é laico, que a Igreja e o Estado são independentes um do outro. Mas pelos vistos não muito.
Foram decretados 3 dias dias de luto nacional no estado português pela morte do Papa. Esta decisão, quem pretende representar em Portugal? @s católic@s? Então e @s ateus/ias? @s muçulman@s? @s hindus? E @s outr@s tod@s? Que é feito do príncipio de liberdade religiosa?
Ah, claro, isto lembra-me qualquer coisa. Somos tod@s cidadãs e cidadãos de plenos direitos. Mas umas/uns mais que outr@s. E se tiveres o credo certo, benvindo ao "estado de laicidade". Ámen.
Como sempre, provincianos e paus mandados da igreja católica, lá se fazem os discursos dos políticos, dos presidentes, dos bispos e dos interessados no festival da morte de João Paulo II. Lá se fala no nosso estado teocrático de forma subtil, para passar despercebido e continuar assim. D. José Policarpo não se cansa de falar no "recomendável" estado católico. Lá vão dinheiros públicos e um Falcon a voar patrocinado pelo bolso do contribuinte que na volta é Are Krishna, ou junkie, ou pagã/o ou coisa nenhuma. Pergunta: então a laicidade, que é feito dela? Desconfio que foi comida ao pequeno almoço um destes dias pelo ICAR em parceria com o governo. Nham, Nham Nham, que delícia.
Quando o Estado se mistura com a Igreja e a Igreja com o estado como se isso fosse lei é que vemos afinal que espécie de república somos: o animalzinho amestrado do poder da Igreja sob o nome de laicidade.
O presidente colabora, o Zézé Policarpo voa, o PS cede, a ICAR ri-se de contentamento e o povinho acata.
Laicidade Procura-se!
Recompensa:
- Em versão complexa: um estado verdadeiramente justo e democrático, pela diversidade e igualdade.
- Em versão standard e objectiva: uma porra de um Estado decente.

Terça-feira, Abril 05, 2005

º "I Dream I Am the Death of Orpheus" º

I am walking rapidly
through striations of light and dark
thrown under an arcade.
I am a woman in the prime of life, with certain powers
and those powers severely limited
by authorities whose faces I rarely see.
I am a woman in the prime of life
driving her dead poet in a black Rolls-Royce
through a landscape of twilight and thorns.
A woman with a certain mission
which if obeyed to the letter will leave her intact.
A woman with the nerves of a panther
a woman with contacts among Hell's Angels
a woman feeling the fullness of her powers
at the precise moment when she must not use them
a woman sworn to lucidity
who sees through the mayhem, the smoky fires
of these underground streets
her dead poet learning to walk backward against the wind
on the wrong side of the mirror.

Adrienne Rich in Planetarium

P.S - Este é um dos poemas que mais me marcou na adolescência. Ainda hoje, ao lê-lo sinto a pele arrepiar e um profundo sentimento de contemplação. Exerce sobre mim um fascínio magnético, palavra a palavra. Qualquer coisa entre a atmosfera de sonho e a realidade. Poesia e política, género e diferença, literatura e poder.

º Ora vamos lá acender uma fogueira II º

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Tenho um desejo muy secreto, quase mesmo proibido (põe as minhas fantasias sexuais mais kinky num nível inaudito de inocência): gostaria de um dia poder escrever um post simpático em relação à ICAR, que algo de fabuloso acontecesse e me fizesse mudar de opinião.
Entretanto, nada me impede de continuar a apelar à queima de igrejas, como resposta aos ataques continuados da veneranda instituição à liberdade de escolha. Desta vez, o nosso bem-amado cardeal patriarca apela, uma vez mais, à manutenção da lei do aborto (ou mesmo à sua proibição total), porque "O aborto voluntariamente procurado, mesmo que legal, continua a ferir a moralidade natural e as exigências da consciência".
Confesso não saber ao certo o que é a moralidade natural, mas cheira-me a desculpa esfarrapada, assim uma espécie de tira nódoas** pra esconder atitudes homófobas, machistas, racistas, moralistas e tirânicas.
Isto até poderia ter piada se, sei lá, a gente vivesse no melhor dos mundos na versão católica, e a única diversão possível fosse especular como melhor decidir pel@s outr@s. Infelizmente para a ICAR, ainda (já?!?) vivemos num país mais ou menos laico. Por isso, quando (se) houver referendo vota 2 em 1: contra a ICAR & pela liberdade de escolha!
**Tenho de agradecer esta belíssima aplicação da ideia de lixívia em relação à ICAR ao João O.

Domingo, Abril 03, 2005

º Setúbal Revisited º

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Uma vez mais o encontro é à entrada do Tribunal de Setúbal. A cena repete-se, as pessoas chegam com as faixas, as pancartas e com a sua indignação.
À porta do tribunal, dois actores representam o julgamento de uma mulher por aborto, ironizam o juíz e a lei hipócrita que temos: "A lei prevê que serás mãe, por isso é teu dever a maternidade (...) cometeste um crime e assim te condeno!". Um grupo de mulheres surge gritando "não, não! Aborto não é crime, o crime está na lei!" e rodeia a mulher sentada no banco dos réus impedindo a sua condenação.
Entre a multidão reconheço pessoas da UMAR, da Não te Prives, do BE, do PCP, das M.A.R.I.A.S, do PS. Algumas caras são já conhecidas, faz pensar que o activismo é um meio pequeno e que a falta de envolvimento político por parte d@s cidadãs/ãos é uma realidade bem vísivel.
Sentada na sala de audiências cheia, penso na indignação que sinto ao ver as 3 mulheres mais à frente enquanto aguardam a sentença. Penso que a Justiça deixou de servir as pessoas para servir um sistema, ao ponto de se tornar totalmente autista e disfuncional. Tenho uma sensação de esmagamento, ali dentro tudo parece pesado e opressivo. Enquanto a juíza lê o seu parecer que ninguém consegue decifrar, as pessoas olham umas para as outras à espera de alguma coisa. O julgamento é adiado.
Pensei que viria de Setúbal com o sorriso de uma absolvição, mas não.
O respeito pelo corpo e liberdade de escolha alheia parece ser ainda um conceito dito a tom baixo para um ouvido duro.
Por isso, e não só por isso há que continuar a lutar:
Aborto livre e seguro para todas as mulheres, JÁ!

Sexta-feira, Abril 01, 2005

º Bute pôr água na fervura! º

Primeiro esclarecimento: no I'm No Lady ninguém desconsidera o casamento, e concordamos tod@s que o casamento civil deve estar acessível a quem dele quiser desfrutar.
Concordamos ainda num ponto essencial: o casamento é um grande passo em frente, mas não irá acabar com a homofobia. Seja ela legal, institucional, social, cultural, política ou outra.
Segundo esclarecimento: nós não estabelecemos prioridades. Não consideramos que existem causas mais importantes que outras, nem as hierarquizamos. Reconhecemos que existem motivações, estratégias e objectivos diferentes em cada reivindicação. Porém, isto não significa que não tenhamos opinião sobre circunstâncias políticas e sociais, a construção do movimento, (ou a adequação das reivindicações a estas condições).
Conclusão: não é que uma lei anti-homofobia seja mais importante que o casamento. No entanto, neste momento histórico, uma lei anti-homofobia faz mais falta que o casamento. Achamos nós.

Quinta-feira, Março 31, 2005

º Feira do Sexo em Lisboa º

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Soube disto em Março através de uma notícia que me puseram à frente na mesa de uma debate exactamente sobre pornografia. A ter em conta o brilhozito nos olhos de quem olhou para a mesma folha de papel que eu, muita gente ficou satisfeita com a notícia.
Isto vai ter lugar na FIL, entre 30 de Junho e 3 Julho, para promoção do trabalho erótico e divulgação das mais recentes novidades da indústria do sexo.
Um pequeno senão é o preço do bilhete diário: são 25 euros. Ou seja um dinheirão, pelo menos na minha opnião.
Fiquei também a saber por este artigo, que a mesma feira se faz desde à 13 anos em Barcelona. Será esse o número de anos que estamos atrasados em relação à Europa (seja lá o que isso for)?
Estranhamente visitei a página da FIL e não tem qualquer referência à feira, embora tenha lá um gap nesse período.
Para quem se sentir picante hoje.... pode ver aqui o artigo.

Quarta-feira, Março 30, 2005

º Afinal o que é uma lei anti homofobia? º

Os melhores paralelos para perceber o que é uma lei anti-homofobia são as leis da violência doméstica e anti-racista. Ambas as situações já eram crime, antes de terem legislação específica. Existem pelo menos duas alterações substanciais nestas leis face ao anterior enquadramento jurídico:
- o estatuto do crime;
- a motivação do crime como agravante.

O estatuto do crime
A alteração do estatuto de um crime para crime público significa "apenas" que a denúncia pode ser feita por qualquer pessoa que tenha conhecimento da agressão (num crime não público apenas a vítima pode fazer a denúncia/ queixa). Por outro lado, a partir do momento em que a denúncia é feita, passa a ser dever policial a sua averiguação e investigação.
Por outras palavras, a capacidade de silenciamento das vítimas torna-se bastante mais relativa, já que basta o conhecimento para denunciar a agressão; além de que se a polícia não investigar uma denúncia está a ser claramente homófoba, e deixa de ser necessário fazer de detective no terreno porque "a polícia não tem conhecimento dessa situação".
A motivação do crime
À semelhança da lei anti-racista, numa li anti-homofobia são punidos mais severamente os actos perpetuados com uma motivação homófoba. Note-se novamente que, apesar dos actos já serem considerados crime, estamos a falar de uma agravante penal por causa da sua motivação.
Tanto numa lei anti-racista, como numa lei anti-homofobia se reconhece a existência de um preconceito que fragiliza especialmente certas franjas da comunidade social. Uma lei anti-racista, como uma lei anti-homofobia parte do reconhecimento desse preconceito e dessa fragilidade social para assegurar ao resto da sociedade que "aquilo" são pessoas e, ou essa noção é apreendida "a bem", ou então a sociedade encarrega-se de punir especialmente aquele/as que têm mais dificuldade em percebê-la.
Um último ponto: na elaboração de uma lei anti-homofobia poderão ainda ser ponderadas outras formas de protecção como a inversão do ónus da prova, a existência de unidades especiais dentro dos serviços públicos para lidar com este tipo de agressão, etc.

Li num comentário n'
Os tempos que correm que entre igualdade (casamento) e protecção (lei anti-homofobia) era preferida a igualdade, porque o casamento oferecia a tal protecção, sustentando que assim "@s LGBT passam a ser vistos como elementos base da sociedade" (família). Se a escolha se coloca entre ter direitos porque se decide escolher um determinado modelo de família, ou ter direitos porque se é uma pessoa ponto final-parágrafo, acho que nem sequer é preciso mencionar qual é a minha opção. Se a escolha é entre proteger ou "igualizar", então a prioridade à protecção. A igualdade não serve de nada se a protecção não existir.

º ONG de mulheres lança manual para os media sobre violência doméstica º

As Soroptimist Internacional lançaram ontem um manual com ampla informação sobre a problemática da violência doméstica dirigida para os meios de comunicação social, como um instrumento de trabalho. Um auxiliar prático para os profissionais da informação que visa corrigir lacunas e despertar o sentido critico dos media e do público face ao problema da violência doméstica. O manual "Violência doméstica - Informar para mudar" já está disponível online e está aberto a sugestões e crítica. o Público apresentou no dia de ontem um artigo sobre o manual que vem no decorrer do projecto Estrada Larga. Lê o artigo aqui

Terça-feira, Março 29, 2005

º Rebecca Horn no CCB º

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O Centro Cultural de Belém apresenta o seu primeiro grande núcleo de exposições "Bodylandscapes. Desenhos, Esculturas, Instalações 1964 - 2004".
Entre elas esta mostra da conceituada artista alemã Rebecca Horn que articula as suas peças em três dimensões com uma parte da sua obra menos conhecida - o desenho. Mais sobre a exposição aqui
Vale a pena ver, só até 17 de Abril!

Segunda-feira, Março 28, 2005

º Psicologia de Guerra º

O meu anterior post suscitou umas reacções calorosas no Renas & Veados. Surgiram variados argumentos na defesa do casamento como prioritário face à lei anti homofobia. Pode ser só um defeito meu, mas considero que, por vezes, vale a pena perder tempo a escrever (descrever e descompor) argumentos e pontos de vista. Prometi que faria uma série de posts sobre este assunto, já que tanto foi dito. Também porque este não é um assunto simples. O preconceito sexual é dos mais complexos e dos mais difíceis de desmontar. Por portas e travessas, cá vamos nós!

A excelente reportagem da Fernanda Câncio põe a nu o tipo de pensamento detrás daqueles actos. “Um nojo, aquilo é um nojo” aplicado à qualificação de um ser humano é retirar à pessoa a dimensão de humanidade e reduzi-la a uma característica negativa. Poderão objectar-me “Claro, mas é assim que funciona o preconceito”.
No entanto, há uma diferença fundamental: o preconceito retira a dimensão individual de cada pessoa, limitando toda a sua identidade pessoal a uma determinada característica. A estratégia atrás mencionada não reduz a identidade pessoal de alguém a uma determinada característica: o reconhecimento (verdadeiro ou não) de uma determinada característica em alguém retira-lhe toda a identidade e toda a dimensão humana, reduzindo essa pessoa a um estatuto sub-humano.
Esta estratégia de desumanização é uma estratégia usada pelos exércitos no treino de combate. O objectivo? Que em situação de combate, um/a soldad@ não hesite na altura de disparar. Isto é, que não pense, que o disparo se torne automático (convém explicar que foi depois da II Guerra Mundial que se chegou à conclusão que apenas uma minoria dos soldados disparava em combate - cerca de 20%. As chefias militares perceberam que tinham de intervir de alguma forma para que entre o momento de detecção de um inimigo e o momento de matar esse inimigo não houvesse qualquer sentimento de empatia ou identificação. Chegou-se à conclusão que a desumanização d@ inimig@ era a técnica mais eficaz - o Vietname foi um dos campos de experiência mais notório desta técnica, de parte a parte).
A maioria de nós não é capaz de matar outro ser humano automaticamente. Mas se não for um ser humano, se for um “rato” ou um “nojo”a reacção de repulsa é automática, e a sua consequência também: o equivalente a matar uma mosca. Em que é que uma lei anti homofobia ajuda? Relembra simplesmente que “aquilo” é uma pessoa! Que a(s) característica(s) que supostam lhe retiram essa humanidade são reconhecidas, como características intrinsecamente humanas.

º 3ª Festa de Jazz do S. Luíz º

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Pela terceira vez realiza-se o melhor festival de Jazz e Blues de Lisboa. Este ano, como nos anos anteriores, a qualidade dos artistas e projectos trazidos ao festival é um dos pontos fortes do festival. Pessoalmente assinalo o concerto da Escola do Hot Club, Maria João e Mário Laginha e o "Lokomotiv +: Carlos Barreto" pelo Jorge Pardo.
Vé o programa completo
aqui.

Sábado, Março 26, 2005

º O que faz falta º

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Os acontecimentos recentes em Viseu, demonstram a falta gritante de uma lei anti-homofobia em Portugal. E a sua necessidade urgente.

Que me desculpem as pessoas que defendem que o que o movimento LGBT em Portugal precisa neste momento é de exigir
casamentos homossexuais. Sim, pode ser uma discussão em voga nos EUA ou no Canadá, pode ser uma realidade em países como a Bélgica, os Países Baixos (vulgo Holanda), ou até aqui ao lado no Estado Espanhol . Informo desde já que o enquadramento legal na Dinamarca e no Reino Unido não tem a denominação de casamento, apesar dos direitos consagrados para casais homossexuais serem os mesmos que para casais heterossexuais casados (alguém me explica porque é que em Portugal se insiste mais na questão do nome, que na questão dos direitos consagrados na lei?)

A sério, desculpem lá o meu mau humor, mas Portugal precisa de muito trabalho social antes de ter um movimento e uma comunidade preparad@s para reivindicar o casamento. Precisamos de protecção legal efectiva contra a homofobia que nos atinge enquanto grupo; precisamos de confrontar as instituições públicas com as suas práticas homófobas; é preciso reforçar a confiança das pessoas para exercerem os seus direitos; é preciso combater a homofobia internalizada que continua a fechar tant@s de nós em armários.

É preciso combater o preconceito da sociedade: de que nos serve o casamento, se continuam as discriminações quotidianas? Portugal tem um movimento LGBT público há menos de 10 anos: todos os países mencionados acima o tinham há pelo menos 30 anos (sim, trinta anos) antes de reivindicarem/ obterem o casamento. É fácil perceber que há uma diferença substancial no conteúdo e que não é por estarmos na UE que as mentalidades evoluem automaticamente.

O casamento é, acima de tudo, uma medida simbólica. A discussão em torno do casamento, não é que não seja importante, mas eu costumo desconfiar do alarido que se faz em torno de algumas questões. Especialmente se o alarido começa no PND, PSD ou afins, com o objectivo de provocar fracturas sociais com temas civilizacionais (aborto, eutanásia e agora casamentos homossexuais), e arranjar mais uns votitos à pala do preconceito em torno destes temas simbólicos. O problema em Portugal é que nós não precisamos de medidas simbólicas: precisamos de medidas práticas com repercurssão no dia a dia.

Quando aqueles "moços" estão a ser perseguidos em Viseu não precisam do casamento: precisam de uma lei anti-homofobia. Quando alguém é despedid@ com base numa orientação sexual, quando um gay é impedido de doar sangue, quando o acesso das lésbicas ao sistema de saúde é condicionado porque elas não mantêm relações sexuais com homens, quando mais um/a adolescente é gozad@ na escola e pondera o suícidio como escape, quando até dentro da comunidade LGBT se reproduzem os códigos morais que nos oprimem (pensem na discussão que se gera todos os anos por altura da Marcha relativamente ao foclore e à presença d@s travecas), quando uma orientação sexual é chamada para uma campanha política para rebaixar o adversário, quando o Abominável César das Neves destila o seu ódio pelos jornais, quando a orientação sexual é um critério de rejeição para a admissão nas FA, quando a ICAR apela à castidade e apregoa a sua tolerância, mas contra os nossos direitos cívicos, quando um/a trans é empurrad@ para a prostituição porque ninguém @ contrata, quando qualquer uma destas ou qualquer outra situação de discriminação acontece não é o casamento que nos serve, que nos protege. É uma lei anti-homofobia.

º Lei e Ordem º

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Há quem tenha problemas com a autoridade; há autoridades que têm problemas com a lei. Parece que existe uma bela tradição na GNR: @s oficiais multados por elementos da Brigada de Trânsito "vingam-se" instaurando processos disciplinares porque os tais elementos "não fizeram a saudação."
A GNR é um corpo militarizado, o que significa que se rege pelas mesmas regras de conduta das Forças Armadas(FA): um dos deveres de qualquer subordinad@ na presença de qualquer oficial é o de fazer continência, independentemente de amb@s estarem vestid@s à civil. Isto por si só já é ridículo tendo em conta que vivemos numa sociedade aberta, e não no saudoso tempo da velha senhora (em que cada qual no seu quintal era a regra de ouro). Contudo, toma contornos um bocadito autoritaristas e anti-democráticos, quando um oficial graduado pode levantar um processo disciplinar a um elemento que @ multe...Não só é um abuso de poder, como ainda é um atentado à igualdade perante a lei que tod@s (supostamente) temos.
Note-se ainda que tal não se aplica apenas aos/às oficiais da GNR: isto vale para oficiais de qualquer um dos ramos das FA (aliás, como qualquer pessoa que já passado algum tempo num quartel sabe, este é um dos privilégios mais queridos nas FA: não só estar acima da lei, como ainda poder lixar quem quer que se tente opor a isso).
Moral da história: eu também quero ser oficial e ter privilégios especiais!

º Uma oferta generosa e irrecusável º

Mas que bem. Realmente parece que o último fôlego de juízo que existiria eventualmente nesta personagem se foi. Digam lá que não é digno de uma cena bíblica?
Tenho a certeza que os fiéis ficam contentadíssimos em receber o sofrimento de um ser humano que está literalmente a bater a bota, com problemas respiratórios e problemas relativos à doença de parkinson. Sim, porque apesar de eu não sentir a mais pequena empatia com este ser, tenho de reconhecer que embora intragável é um ser humano.
Não é quase uma cena idílica? Tomem lá o meu sofrimento e aprendam que quanto mais se sofre melhor. Fiéis: se não poderem (para mal dos vossos pecados) sofrer muito de uma causa natural façam o favor de se chibatarem, de se molestarem, açoitarem, espancarem, de fazer tudo o que estiver ao vosso alcance para penarem muito e o mais possível (mas nada dessas porcalhices SM, não é suposto gostarem) Só assim encontrarão a libertação para serem cordeirinhos apáticos e bem comportados, daqueles que convêm ao "bom" funcionamento das sociedades.
Pois eu acho que o melhor que o sr. Papa fazia era estar calado, ou então oferecia este sofrimento aos milhares de pessoas que discriminou e perseguiu com a sua moral puritana de tuta e meia. Tenho a certeza que essas aceitariam de bom grado e com redobrado prazer a sua generosa oferta.

Sexta-feira, Março 25, 2005

º Do xadrez para o xadrez º

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Fisher vs Spassky 1992

Hoje descobri que Bobby Fisher, considerado um dos melhores jogadores de xadrez de sempre, se arrisca a uma pena de prisão de 10 anos caso seja extraditado para os EUA.
A razão? Foi jogar um joguito de xadrez ao Montenegro em 1992, para defrontar o seu velho rival Boris Spassky no Campeonato Mundial de Xadrez. Como os EUA tinham, na altura, um embargo contra a ex-Jugoslávia, o senhor está a contas com a justiça.
Definitivamente, o xadrez é um jogo perigosíssimo e altamente atentatório da estabilidade de um país. É caso pra dizer que, para descarregar a tensão nos EUA, bom mesmo é ficar por lá e espancar uns pretos ou uns paneleiros. As penas de prisão são mais leves...

Segunda-feira, Março 21, 2005

º Virginia Woolf Quiz º

E porque a Virginia Woolf dá pano para mangas (e ainda sobra) lançamos um desafio a tod@s. Divirtam-se.

1. Virginia Woolf, na sua infância, foi educada em Londres
a. em casa pelos pais
b. num colégio deminino em Hyde Park Gate
c. a si própria na British Library

2. A biografia de Woolf intitulada Flush (1933) é sobre:
a. Uma influente artista Pré-Rafaelita
b. A líder do Movimento de Mulheres Sufragista
c. O cão de Elizabeth Barrett Browning

3. Dois dos textos que são contribuições determinantes para a teoria feminista são Um Quarto Que Seja Seu e

a. Entre os Actos
b. Trés guinéus
c. Carta a um jovem poeta

4. A Hogarth Press, criada por Woolf, recusou-se a publicar que autor?

a. T.S. Eliot
b. Sigmund Freud
c. Charles Darwin
d. Dostoevsky

5. A fantástica biografia Orlando foi inspirada por:

a. Vita Sackville-West
b. Vanessa Bell
c. Christina Rossetti

*poeta_pedrada*

Sexta-feira, Março 18, 2005

º Ideias Luminosasº

Parece que agora surgiu uma ideia luminosa de se fazerem os dois referendos no mesmo dia, o do aborto e o da constituição europeia. Pois como vai haver circo nos dois nada como juntar a palhaçada toda! Pois e se isto for para a frente perde-se mais uma tentativa de gerar um debate sério na sociedade sobre estes dois temas.
Pequenos_Nadas

Quinta-feira, Março 17, 2005

º Jornalismo (des)informado º

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Às vezes tenho a sensação que os media estão a atravessar uma crise de seriedade. Há pouco tempo falava-se da irmã Lúcia e dos milagres de Fátima como se eles fossem um dado adquirido. Como se realmente tivessem acontecido. Dizia uma jornalista no notíciário a certa altura: "e foi assim, na altura em que a irmã Lúcia esteve na presença de nossa senhora, que descobriu a sua profunda devoção". Sim claro, porque a irmã lúcia viu mesmo o que diz que viu, toda a gente sabe que aconteceu, diz-se por aí, não é?
Hoje, deparei-me com um artigo no DN sobre o centenário literário de Virginia Woolf marcado pelo dia 17. Pouco depois de começar lê-se "Foi autora de títulos como As Ondas, Rumo ao Farol e Mrs Dalloway - que inspirou o filme de Stephen Daldry As Horas(...)" . Pergunto-me se a pessoa que escreveu o artigo alguma vez viu o filme e faz ideia que este não foi inspirado no Mrs. Dalloway, mas sim uma adaptação do livro As Horas de Michael Cuningham ao cinema? De facto, o livro Mrs. Dalloway de Virginia Woolf teve como título primeiro precisamente As Horas. Mas não é nele que se inspira a trama do filme. Talvez parta daí a confusão?
Um pouco mais adiante lé-se "(...) Frequentou o grupo de Bloomsbury, círculo intelectual onde convergiam nomes como E.M. Forster, Lytton Strachey, Clive Bell ou o economista John Maynard Keynes (...)". Pois... posto desta maneira ficamos com a noção errada sobre o que foi este círculo. Virginia Woolf não "frequentava" este círculo cheio de personalidades. Na verdade, este círculo reunia na casa de Woolf, impulsionadora deste círculo. Dizer que as personalidades é que "frequentavam" este círculo seria talvez, pondo as coisas nesta lógica, o mais acertado.
Ok, eu sei que errar é humano e toda a gente tem falhas. Pessoalmente já perdi a conta ao número de baboseiras que disse. Os jornalistas não têm obrigação de serem enciclopédias integrais do conhecimento. Mas será assim tão complicado estar-se minimamente informado sobre aquilo de que se está a falar, principalmente tratando-se de um artigo publicado num periódico? Pergunto-me também se o autor do artigo alguma vez olhou para um livro de / sobre Virginia Woolf? Serei demasiado exigente ou estarão antes os media a sé-lo pouco?

*poeta_pedrada*

º Teorias º

Para mim seria impossível viver sem teoria.
Porque não consigo conceber um mundo sem ela, porque a base da teoria é o pensamento aplicado e foi assim que se deram os saltos tecnológicos, sociais, filosóficos, culturais, científicos ao longo da história.
Porque não consigo conceber um mundo ou uma sociedade sem liberdade de escolha, sem mobilidade, sem liberdade de pensamento, sem diversidade, ou fechad@s sobre si própri@s. Porque quero construir um mundo diferente, sem explorações e opressões; e para isso, preciso de teorias -modelos explicativos- para perceber o sistema (capitalista, machista, racista, homófobo) em que vivemos, como funciona..e principalmente quais são as suas fragilidades, para ser possível mudá-lo.
Porque este sistema se alicerça em preconceitos e é preciso desmontá-los, demonstrar a sua falibilidade, e isso faz-se com a teoria.

5 razões porque gosto de teoria
Gosto de teoria porque me põe a pensar (sobre nós e o que nos rodeia - política, sociedade, ciências naturais/ humanas/exactas, artes, etc.)
Gosto de teoria porque (pode) muda (r) o mundo.
Gosto de teoria porque possibilita a criação.Gosto de teoria porque gosto de discussão, dialéctica e revoluções.
Gosto de teoria porque permite expor realidades não perceptíveis facilmente.

5 teorias que mudaram o mundo (p'lo menos o meu)
Queer
Relatividade
Deconstrucionista
Marxista
Feminista (s)

E tu? Gostas de teoria? Porquê?
Partilha a tua.

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º Ora vamos lá acender uma fogueira º

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Esta história com o Código da Vinci incomoda porque estamos a ver a história a repetir-se nos últimos anos: primeiro eram os farmacêuticos católicos que não deveriam vender métodos contraceptivos, depois os políticos católicos que não deveriam legalizar o aborto ou os casamentos homossexuais, agora as livrarias católicas que devem tirar o livro das prateleiras...
Eu que sou muito pelas liberdades de expressão & de escolha, proponho que se ilegalize a ICAR (atenta contra ambas), e que todas as pessoas que também são pela liberdade de expressão & de escolha, por principio queimem uma igreja e denunciem o padre lá da freguesia à polícia.
Intolerância? Não, é uma máxima desta instituição: "Não faças aos outros (sic) o que não queres que te façam a ti"
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º Agora, só depende mesmo do PS º

BE, PCP e Verdes entregaram ontem na Assembleia da República propostas de leis para regulamentar a IVG.
O BE além da proposta de lei, também apresentou uma proposta de referendo.
Agora depende do PS: independentemente daquilo que os socialistas preferissem (referendo ou alteração legislativa no Parlamento), não têm desculpa para não mudar a lei ainda este ano.
Estou contente com o BE! Com a apresentação das duas propostas, o PS não tem nenhuma saída airosa se não alterar a lei.
Chama-se a isto um entalanço político! Digam lá que não é uma boa estratégia...
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Terça-feira, Março 15, 2005

º L WORLD vai voltar ao CCGL º

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A série norte-americana que acompanha o quotidiano de um grupo de amigas lésbicas em Los Angeles vai estar de volta ao CCGLL (Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa) muito brevemente. São os novos episódios (segunda época), como sempre recheados das indecisões de Shane, dos arrependimentos de Bette ou dos desejos ocultos de Dana. Mas antes de passarmos a 2ª época, vamos fazer uma revisão dos primeiros 13 episódios, condensados em poucas sessões.
*poeta_pedrada*

Segunda-feira, Março 14, 2005

º Pelo direito à indignação! Posta sem papas na língua! º

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Foto da Marcha do Orgulho LGBT 2004, créditos Portugal Gay


A malta tá farta de ouvir a mesma merda de argumentos ano após ano..

ORGULHO - sim, gente: ORGULHO!!! ORGULHO!!! ORGULHO!!! ORGULHO!!! ORGULHO!!!
Enquanto esta palavra incomodar alguém é porque existe homofobia internalizada ao barulho.
Orgulho de quê? De sobreviver numa sociedade que ostraciza a diferença, de levantar a cabeça e enfrentar o mundo com dignidade e auto - estima quando esse mesmo mundo pretende ocultar-nos, silenciar-nos, clandestinizar-nos e matar-nos! (para quem ache exagerado, lembre-se que a taxa de suicídio na adolescência entre LGBT é três vezes superior à da restante população).
À vergonha que a sociedade nos pretende impingir por sermos quem somos, nós respondemos com o ORGULHO de sermos quem somos!
E prás cabecinhas mais duras: acham realmente que esta sociedade pretende fazer @s hetero envergonharem-se só porque são hetero? Não nos parece! Portanto guardem esse argumento da treta no armário lá de casa! A malta aqui rejeita demagogias fáceis..

A palavra GUETO incomoda-vos? E CIDADANIA DE SEGUNDA CLASSE?
CLANDESTINIDADE envergonha-nos!

MARCHA - Porque é que faz sentido haver uma marcha? Porque é que as pessoas marcham?
Sair à rua pelos direitos LGBT faz todo o sentido, da mesma forma que faz sentido sair às ruas para contestar a guerra, o racismo, a xenofobia, as propinas, a privatização dos serviços público etc. Marchar é uma forma de reivindicação de direitos.

PORQUE OS DIREITOS SE CONQUISTAM NA RUA, E NÃO NO ARMÁRIO!

MARCHA DO ORGULHO LGBT- Porque marchar com orgulho é uma forma de expressão pública e política que reflecte as condições específicas da vivência LGBT, seja ela assumida ou não. Marchar é uma forma de dizer que estamos aqui e que exigimos aquilo que é nosso por direito: nem menos, nem mais!

PORQUE O ARMÁRIO OU O GUETO NÃO SÃO O NOSSO TERRITÓRIO!

Porque quando a malta se balda à Marcha, mas aparece à noite no Arraial, a malta está a fazer uma OPÇÃO POLÍTICA e está a enviar uma mensagem à sociedade. E enquanto houverem duas mil pessoas na Marcha e dez mil no Arraial, a mensagem é “Caguem lá nos nossos direitos. A malta tá feliz enquanto puder cantar, dançar, embebedar-se e foder à grande!”

(sim, abrimos uma excepção a este juízo categórico: quando existe possibilidade de retaliações no emprego, na família, na escola etc. E se a razão for esta, o medo de aparecer, venham e tragam uma máscara. Venham e mostrem que infelizmente ainda há muito por fazer, ainda há muito para marchar, antes que seja possível a tod@s dar a cara sem medo!)

E já agora, uma breve contribuição histórica: aqui há uns anos, pessoal de várias associações LGBT achou que faltava às comemorações do DIA DO ORGULHO uma componente política. A festa estava muito bem, sim senhor, mas o Arraial é um evento festivo, de diversão. E a malta por cá achou que até era catita juntar a este dia uma componente de reivindicação política. Assim uma espécie de resenha pública daquilo que pretendemos com o activismo do dia-a-dia; e mostrar publicamente que estamos aqui, que é bom que se habituem a nós.
*flush & poeta_pedrada*

Domingo, Março 13, 2005

º O charme escandinavo º

Há dias em que vale a pena ler os jornais, quanto mais não seja para lembrar que o estado das cortes é definitivamente resultado de opções políticas. E que enquanto o recém indigitado primeiro ministro português dá mostras de um machismo regurgitante, há gente que mostra o que vale a consideração pelos direitos de cada pessoa.
Estas
iniciativas, ainda que simbólicas, têm um significado especial: lembram-nos que a política é, demasiadas vezes, o resultado das escolhas de pouc@s, em vez de ser a procura do melhor para tod@s. Mais nuns sítios que noutros...

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º Podem ser esquecidas, mas que as há, há! º

Hoje o Público pela mão de Ana Sá Lopes & Mário Mesquita apresenta uma possível composição de um governo socialista só com mulheres. Uma leitura imprescíndivel para tod@s, especialmente quem nega sempre a existência de sexismo e desigualdade nesta sociedade.
Afinal, não há mulheres competentes neste país, ou são sistematicamente esquecidas?

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